Edição de Dezembro/98 - Número 68

 

A OUTRA FACE DA MOEDA

João Coelho*

A administração de Guidoval, no sentido de elaborar imagem positiva, cria artifícios de marketing para convencer o sofrido povo de nossa terra de que se faz um trabalho administrativo de qualidade. Criou-se até uma assessoria de imprensa, parte do trem da alegria, para defender o supremo administrador, sem falar nos carros disponíveis para transportar pessoas à Ubá em qualquer hora do dia ou da noite, seja o que for que elas forem fazer lá. Só que esse transporte, ao invés de servir indiscriminadamente a todos os habitantes do município, destina-se pura e simplesmente aos companheiros políticos e aos oportunistas que se fazem momentaneamente companheiros. Se um desses carros passar por alguém da lista, ainda que cheio arranja-se lugar. Se passar por um adversário, ainda que vazio, não tem vaga.

Para ilustrar, vejamos alguns exemplos: - Em tempos que não ficam longe, uma pessoa saiu às pressas da roça com o filho queimando de febre. Como sempre, não tinha médico no ambulatório. Procurando a ambulância, depois de longa burocracia, ficou acertado o socorro do garoto, incontinente. Após umas quatro horas de espera, o autor desta crônica, chegando de viagem, conduziu o garoto à Ubá em seu velho fusca, e, se não o fizesse, estaria esperando até hoje. - Doutra feita outro triste episódio. Depois de longa espera a ambulância veio apenas para o motorista dizer que não levaria o doente porque o carro estava cheio. Outra vez o velho fusca cumpriu o seu papel humanitário.

A gente vê com isso que a realidade é bem outra daquela que propaga o poder público municipal. Conclui-se ainda que de nada vale um monte de ambulâncias se elas só servem para o grupo do poder. É bom recordar que no governo Sebastião Cruz, hoje em saudosa memória, só tinha uma velha ambulância e o socorro aos doentes era indiscriminado e da melhor qualidade. Será que o Sebastião era um prefeito mais humano? Só pode ser.

Outra triste ocorrência merece reflexão. Um grupo de devotados professores se dispuseram ministrar, gratuitamente, o curso supletivo em Guidoval. Para isso solicitaram ao prefeito uma sala desativada numa escola rural. A resposta foi não. Será que ele tem medo do povo se instruir e se libertar? Talvez seja. Um povo instruído pensa mais alto e não aceita ilusionismos, como por exemplo as falsas promessas de campanha.

Pois é. A gente tem de ficar atento e analisar as entrelinhas. É aí que se descobre o verdadeiro sentido dos fatos, o outro lado da moeda.

* (João Coelho é 1º suplente de vereador do PDT de Guidoval).

 

 

AGORA OU NUNCA

O Brasil acaba de escolher o seu Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. A Zona da Mata, há décadas praticamente esquecida por governadores do Estado e presidentes, elegeu governador um político da região.

Há, por isto, otimismo e esperança de progresso para nossa região. Itamar Franco sempre teve apoio político dos eleitores das cidades vizinhas e também daqui de Guidoval, embora ele nunca tenha nem visitado nossa cidade. Nas últimas eleições felizmente e, porque não dizer, curiosamente, nem mesmo a pressão e influência da máquina administrativa impediram que ele tivesse expressiva vitória também em Guidoval.

O governador eleito sempre teve amigos em nossa região e há pelo menos um guidovalense que ele conhece muito, confia e deve gostar. Alguns dos seus assessores já conhecem Guidoval e, especialmente seu futuro Secretário de Educação - Sr. Murílio Hingel - já demonstrou amizade por todos nós e desde quando era Ministro da Educação vem dando prova disto.

Portanto, temos boas razões para o otimismo e esperança e vemos a oportunidade AGORA para conseguirmos a nossa tão desejada estrada que virá de Dona Euzébia e nos ligará com outras cidades (Visconde do Rio Branco, Guiricema, Miraí, etc.).

Com mais ou menos 20 ou 30 quilômetros de estrada, Guidoval sairá desse isolamento, o progresso virá mais fácil e nosso povo jamais esquecerá.

Para conseguir essa obra que seria a mais importante ajuda a Guidoval, vamos precisar de uma mobilização dos guidovalenses, bons argumentos e ajuda de TODOS os políticos que tiveram votos dos guidovalenses.

Vamos nos organizar para reivindicar. Chegou o momento. É AGORA OU NUNCA.

 

 

WALDEMAR RUFINO (SÔ NÊGO)

João Coelho

Quem passasse pela Rua Pe. Baião tinha lá um ponto de referência, a casa do Sô Nêgo. O caráter, a simpatia, a sinceridade, o tratamento cordial daquele nonagenário caracterizava o verdadeiro homem de bem. Não havia uma pessoa sequer que não gostasse de ouvir suas sábias palavras, que sempre se transformavam em doces conselhos.

Nascido neste município na Serra da Boa Vista, em 16/05/1908, foi agricultor da nata, dedicando-se ao cultivo de hortigranjeiros, principalmente cebola, a qual, além de produzir, comprava também dos demais produtores da região e vendia no mercado do Rio de Janeiro. Adquiria sementes da liliácea no Rio Grande do Sul, em grande quantidade, e repassava aos produtores da região, formando-se anualmente cebolais de fazer inveja.

É pena que a vida é passageira e o Sô Nêgo nos deixo em 19/11/98 ficando os familiares e amigos em comovido abalo. Guidoval, celeiro de grandes homens, ficou muito pobre. A Rua Pe. Baião nº 929 vai mostrar aos passantes um banquinho de madeira próximo ao passeio, onde era comum o Sô Nêgo dialogar por horas esquecidas com os seus amigos de fato. Hoje, lá passando e não podendo mais desfrutar da feliz presença daquela preciosidade humana, resta-nos a felicidade de um dia ter ali sentado e dialogado com um homem de verdade.

 

 

DRAMA DE FHC

SÃO OUTROS QUINHENTOS

Os brasileiros acabam de eleger seu presidente. Ironicamente a maioria dos que votaram em FHC são da classe pobre de miseráveis, classe média baixa, os de salários menores que 300 reais, com filhos e outros dependentes para cuidar. Analfabetos, semi-analfabetos, desinformados e que votaram pensando: "seja o que Deus quiser".

Também muitos milhões de eleitores instruídos, diplomados, das classes médias alta e baixa, os bem empregados, os ricos votaram em FHC.

Crise econômica mundial afetando o Brasil, também. Nosso país - por infelicidade - volta, como nunca, à submissão do FMI. A dura realidade é que o governo brasileiro não tem vontade própria. Nossos economistas, administradores e planejadores não têm nada a fazer senão impor aos brasileiros o que os países ricos ditam. E ainda temos que considerá-los "amigos" e agradecer-lhes (que o digam seus "testas de ferro" e oportunistas "do" Brasil).

Saúde!? Educação!? Segurança!? Emprego!? Dignidade!? Justiça!? Fraternidade!? Vergonha!? Atenção na mídia... Vejam o que estão fazendo com o nosso povo sofrido, com os trabalhadores, com os aposentados, com as classes menos favorecidas, principalmente. Tem nada não. "Faltam apenas quinhentos para QUINHENTOS". Em abril do próximo milênio iremos comemorar 5 séculos de um país rico, SIM, gigante pela própria natureza, de povo heróico, fraterno e bradante, de braço forte, conquistador da igualdade entre irmãos.

Vamos comemorar a honestidade de nossos políticos, o patriotismo e qualidade dos grandes empresários brasileiros, a honestidade e sinceridade de nossos cristãos e outros religiosos. E num minuto de silêncio TODOS OS BRASILEIROS, sem exceção, vamos, juntos, olhar pro céu e dizer: "PUT&WFAVWLDMWW."

 

Se ouviu o trovão,

você não foi atingido pelo raio!

Rodrigo M. de Oliveira

O raio é um dos fenômenos mais belos que a natureza pode nos fornecer. Porém é, também, um dos mais perigosos. Um raio pode produzir correntes elétricas da ordem de 100.000 ampères, de altíssima voltagem e de ocorrência instantânea.

Os raios são responsáveis por grandes transtornos, dentre os quais podemos citar: morte de pessoas, morte de animais, problemas nas redes de transmissão de energia elétrica e telefonia, queima de aparelhos eletroeletrônicos, ...

Os raios procuram sempre a menor distância entre a nuvem e a terra. Além é claro, de fazer o percurso onde a resistência elétrica é menor. Por isso, eles incidem, preferencialmente nos pontos mais altos do terreno, nas antenas de transmissão do sinal de rádio, nas árvores de maior porte ou mesmo naquelas isoladas, nas antenas de TV, principalmente aquelas instaladas em locais muito alto.

O raio é o resultado de uma diferença de quantidade de cargas entre o ponto de origem e o final. Essa diferença de cargas produz a faísca - raio - que aquece os gases da atmosfera que estão ao seu redor que expandem produzindo um barulho - trovão. Como a velocidade da luz é maior que a do som no ar, primeiro vimos o clarão do raio para alguns segundos depois ouvirmos o trovão. Ao tocar o solo, a corrente da descarga se difunde radialmente. Portanto, um animal não precisa ser, necessariamente, atingido pelo raio para que tenhamos um acidente. O perigo está no fato de essas correntes produzirem tensões elevadas nos pés das pessoas ali por perto, vindo a matá-las. Quanto maior a distância que estiver separando os pés, maior deverá ser a tensão e mais violento o choque! Dada a distância entre os pés dianteiros e traseiros de bois e cavalos, é por isso que eles são os mais atingidos por raios.

Quando um raio atinge uma casa ou uma construção de forma geral, as correntes se distribuem pelas ferragens da laje e dali para as colunas, pelos encanamentos de água e até mesmo pelos fios elétricos, procurando um caminho para se difundir no solo. Uma pessoa próximo ou em contato com estas partes estará sujeito a choques!

Algumas dicas para amenizar os prejuízos causados pelos raios: peça, quando puder para o eletricista colocar um fio terra exclusivo na sua casa, além do fio neutro da rede cujo uso é muito comum; faça aterramentos nas cercas de sua propriedade; desligue televisores e aparelhos de rádio FM da antena e também, da tomada; desligue aparelhos eletroeletrônicos da tomada; retire-se para um local mais afastado das tomadas e de paredes que estejam em contato com os fios que saem das antenas de TV; se você estiver no campo na hora da tempestade, procure os locais mais baixos, distante de árvores e lembre-se: mantenha os pés bem juntos.

 

 

EDUCAÇÃO

O provão do Ministério da Educação dado em quase duas mil faculdades - inclusive as da Universidade Federal e Estadual dá um resultado com média 3 e mostra que os universitários também não lêem quase nada. Os testados são das classes média, média alta e rica - na sua maioria. Pensamos em incompetência, despreparo, irresponsabilidade, preguiça, CAOS. Depois lembramos que Deus nos deu um país com imensas riquezas - com tudo para ter um povo culto e feliz - e o Brasil está nisto que está.

Como fazemos parte deste povo e também não estudamos nem lemos muito - lembramos do Monteiro Lobato e chegamos a "inteligente" conclusão: o brasileiro não passa de um Jeca Tatu... que ainda não tomou ANKILOSTOMINA.

 

 

TORTA DE FRUTAS

O verão está chegando e se você gosta de ir para a cozinha e fazer delícias, damos abaixo um sugestão bastante apetitosa e saudável. Acompanhe a receita:

Taninha

Massa:

Recheio:

Para a massa misture todos os ingredientes e amasse com as mãos até obter uma massa lisa. Deixe descansar por 30 minutos.

Faça o recheio: coloque os ingredientes numa panela e leve ao fogo mexendo sempre por uns 20 minutos ou até dourar. Deixe esfriar. Forre o fundo e os lados de uma fôrma de abrir de 20 cm de diâmetro com a massa (reserve uma parte). Coloque o recheio e, com a massa reservada, forme uma treliça. Leve ao forno moderado préaquecido (180ºC), por 30 minutos ou até dourar. Desenforme depois de fria.

 

Frutas e verduras combatem o câncer

Uma dieta rica em verduras, legumes e frutas e com baixa participação de calorias e gorduras animais reduz à metade o risco de a pessoa desenvolver câncer, especialmente do sistema digestivo, boca, faringe, pulmão, mama, útero e ovário. Ainda não se sabe o que essas frutas e vegetais têm que combatem o câncer. A descoberta foi divulgada recentemente no 17.º Congresso Mundial de Câncer, no Rio, pelo pesquisador Anthony Miller.

O maior risco estaria na alimentação inadequada. "O operário sueco almoça um tablete de manteiga com pão; o inglês, peixe frito com batata frita e o americano, só alimentos industrializados", disse Sérgio Koifman da Fundação Oswaldo Cruz. Disse ainda, que "se apenas se fizer esforço no padrão básico de alimentação, como feijão e arroz todos os dias, um refogado de vagem e cenoura, o sopão que se faz na xepa da feira, já estaria ótimo."

 

Vitamina B pode evitar derrame cerebral

A associação entre a vitamina B e o derrame foi descoberta recentemente pelo pesquisador Philip Gorelick (Centro de Pesquisa de Derrames, Chicago-EUA). Quando uma artéria que alimenta o cérebro se rompe ou entope, o fluxo de sangue diminui, provocando o derrame cerebral. Ficou verificado que os complexos B diminuem um substância - a homocisteína - que atua enrijecendo as artérias, aumentando o risco de entupimento.

Cigarro, pressão e colesterol altos podem aumentar o risco da doença. Fraqueza em um lado do corpo, fala lenta, tontura e dores de cabeça forte, podem indicar a presença de um coágulo no cérebro.

 

 

Autobiografia de um repórter esportivo

Carlos Roberto Sodré

Alô amigos. Aqui estou, com prazer e com alegria. Fiquei feliz com o convite de minha amiga Taninha, para fazer parte deste tradicional e respeitado jornal e importante meio de comunicação de nossa querida Guidoval. Participar hoje desta coluna é uma oportunidade de explicar a todos, minha ligação com esta hospitaleira cidade. Nasci em Visconde do Rio Branco em 1964. Em 1978, eu, meus pais e meus três irmãos mudamos para Ubá, onde estamos até hoje. A minha vida no rádio começou em 1986; quando trabalhava no ASAL (Armarinho Santo Antônio LTDA). Encontrei lá um "Amigo", Chiquinho de Carvalho, contei pra ele toda minha história, o meu sonho de um dia poder trabalhar em uma emissora de rádio. Ele foi convidado pelo professor Nelson Edy Neves para assumir , então, aquela vaga, vendo ele alguma chance neste repórter. Resolveu apostar todas as fichas no Sodré e deu no que deu. Nasci nos tempos áureos do rádio, nos tempos áureos Valdir Amaral, Jorge Curi, Mário Viana, Cleber Leite, e Loureiro Neto... que saudade. Sou amante do rádio e para mim, este tão importante veículo de comunicação nunca vai perder seu espaço. Apesar de ter nascido em Visconde do Rio Branco e morar há 20 anos em Ubá, tenho Guidoval no meu coração. Como todos sabem, o Cruzeiro é o meu time preferido na região. O meu relacionamento com está torcida é uma eterna lua-de-mel. Fui plantão esportivo de 86 a 90 e tive minha primeira oportunidade como repórter no ano em que o Cruzeiro conquistou o seu primeiro e mais importante título regional. A cobertura na concentração, nos vestiários, no campo de jogo toda fora feita por mim. Vivi toda aquela emoção que acabou culminando com a grande conquista do Cruzeiro. Tenho convicção de que o sucesso do Cruzeiro, a amizade com a torcida foram fundamentais para a minha vida profissional. Portanto, minha vida tem tudo há ver com Guidoval e o Cruzeiro, tanto é que acabei casando com uma guidovalense. É uma história bonita... quase um romance... tenho a impressão de que está apenas começando e tem muita coisa ainda para acontecer. Em abril tive a honra de fazer parte da equipe de esportes da Mania FM. Quero aqui agradecer ao Sílvio, Tista, Marquinhos Lopes e aos meus colegas dizer que tentei fazer o melhor; um abraço a todos. Em especial ao Marcílio, pessoa que aprendi a gostar. Estou indo embora, mas a vida é assim mesmo: hoje aqui, amanhã em outro lugar. Meus amigos da Mania e de toda querida Guidoval, parto deixando mais amigos do que antes.. Já estou com saudades de todos vocês. Mas no meu coração, haverá sempre um lugar muito especial para todos vocês. Quero agradecer primeiro ao "Papai do Céu" que tem sido muito generoso comigo, ao professor Nelson Edy, que sempre cobrou muita dedicação e aplicação. Ao Chiquinho de Carvalho, um dos maiores talentos que já conheci; ao meu avô que foi meu maior incentivador. Infelizmente ele já não está entre nós a cinco anos. A todos vocês, meu muito obrigado, minha homenagem, minha gratidão, um beijo no coração de todos. Um abraço. Bye, Bye. Tchau galera!

 

 

DESENHISTA CONHECIDO PUBLICA CRÔNICAS NO Saca-rolha

Em meados de agosto, recebemos uma correspondência de uma pessoa muito conhecida. Dona de um raro talento. Lemos a mensagem, e quase não acreditamos no que acabávamos de ler. Mauricio de Sousa, o desenhista criador da turma da Mônica, pedia-nos apoio para publicação de matérias suas nesse jornal. De imediato aceitamos o convite, e ele, então escreveu uma série de crônicas, as quais você acompanha a partir desta edição.

E Mauricio fica feliz por experimentar outra forma de comunicação, diferente dos quadrinhos ou dos desenhos animados. Onde nem tem a obrigação de desenhar seus personagens. Embora cada crônica tenha uma ilustração. Geralmente esboçada pelo próprio Mauricio e depois arte-finalizada por algum bom artista do estúdio.

Nesta série de crônicas de Mauricio de Sousa que iniciamos hoje, ele conta sobre experiências que teve, mais de uma vez, quando avistou fenômenos inexplicáveis nos céus.

Leia as crônicas, baseadas em fatos reais, e tire suas conclusões.

O próprio Mauricio de Sousa ainda está cercado de dúvidas: ele viu e até fotografou os fenômenos mas... não acredita em discos voadores. Mas quem explica o que ele viu? Leia as crônicas e veja se pode ajudar na solução.

 

UFOS? VI MAS NÃO ACREDITO!

Quatro de dezembro de 1977.

Domingo. Quase nove da noite.

Percorro de carro os 50 quilômetros que separam Mogi das Cruzes de São Paulo. Céu encoberto. Nuvens baixas. Neblina...

Estou na estrada velha Rio-São Paulo.

Acabo de atravessar a cidade de Suzano e cruzo uma passagem de nível, pouco antes de Poá, cidade vizinha.

Venho sozinho, de uma visita à chácara de minha avó. Minha esposa, Alice, que sempre me acompanha, hoje ficou retida em visita à sua irmã, na maternidade.

Viagem tranqüila, em baixa velocidade devido ao nevoeiro que surge aqui ou ali, em alguns pontos da estrada.

Mas no que cruzo os trilhos da ferrovia, em Poá, as nuvens baixas se abrem numa fenda, de norte a sul, e exibem um lindo céu cheio de estrelas.

A noite fica mais bonita enquanto pego um retão de estrada. É um bom passeio de volta. Com música suave no rádio. Até que, quase no fim da reta, percebo pelo canto dos olhos, lá longe, à direita, uma luz em movimento no céu. Bem próximo da linha do horizonte.

Imagino que é uma estrela cadente (um meteorito) queimando ao entrar na atmosfera. E continuo dirigindo, olhando para a frente, para a estrada.

Mas pelo canto dos olhos vou percebendo que o brilho continua ali, no céu, movendo-se e aumentando de intensidade.

Curioso, desvio os olhos da estrada e constato que, o que vem se aproximando, é um tipo de estrela.

Não está "cadente". Está voando a uma velocidade regular... e aumentando de tamanho.

Tenho um pressentimento de que vou assistir a alguma coisa incomum.

Procuro um local para estacionar fora da estrada. Encosto meu Dodge num espaço de parada de ônibus, ao lado de uma fábrica. Mas agora, com os olhos grudados na "estrelona" que se aproxima.

Penso em pegar minha Nikon, atirada no banco de trás do carro, prontinha para disparar, mas me lembro que vai ser difícil acertar os comandos da câmera, rapidamente. A Nikon não é do tipo automático.

E me dou conta de que sou desenhista.

Prefiro olhar tudo muito bem olhado, registrar na memória e depois tentar desenhar o que vi. Não quero desviar os olhos um segundo daquele objeto gigantesco, estranho, que vem se aproximando.

(Continua na próxima edição)