Edição Número 70

 

Tatiana Braz Ribeiral

Filha do guidovalense Luiz Antônio Ribeiral e de Maria Braz Ribeiral, TATIANA BRAZ RIBEIRAL foi a vencedora do Primeiro Concurso de Monografia da "Escola do Legislativo" da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, na categoria ESTUDANTE.

O concurso, de âmbito nacional, teve participação de concorrentes de vários estados do BRASIL.

O seu trabalho : " Comissão de Constituição e Justiça : Uma ilha de Institucionalização no Congresso Nacional " já se encontra publicado na Revista do Legislativo da ALMG, Nº 24 - outubro / dezembro de 1.998, da página 66 até a 82.

A premiação ocorreu no dia 15 de dezembro de 1.998, às 16:30 hs, na Galeria de Arte do Espaço Político-Cultural da Assembléia, no Palácio da Inconfidência, tendo a presença de várias autoridades, dentre elas; o Presidente da Assembléia Legislativa, o Deputado Romeu Queiroz.

Muito mais que o valor do prêmio de R$ 2.000,00, recebido das mãos do Deputado Elmo Braz, vai enriquecer o currículo ( e a biografia ) de Tatiana Braz Ribeiral o reconhecimento da Comissão Julgadora presidida pelo Deputado Arnaldo Penna, tendo ainda como um dos membros, o ex-prefeito de Belo Horizonte; o Professor Patrus Ananias.

TATIANA BRAZ RIBEIRAL formou-se em Ciência Política pela UnB. A colação de grau ocorreu, recentemente, em 4 de setembro de 1.998, no Auditório Petrônio Portela - Senado Federal.

 

Na penúltima edição, Maurício de Souza e seus familiares estavam no Parque do Ibiapuera, quando viram bolinhas metálicas indo e vindo pelo céu. Que coisa estranha! Vamos ver o que mais Maurício viu em suas viagens?

FARÓIS E LUZES NO CÉU

 

(Continuação da crônica anterior).

Noite de domingo.

Data perdida.

Tempo encoberto.

Dirijo um Gol branco, alugado. Meu Dodge deu problemas e precisei arrumar outro carro para ir visitar minha avó, em Mogi.

Minha mãe me acompanha, nesta noite, sentada no banco de trás do carro, não me lembro por quê.

Agora estou de volta a São Paulo e passo pela avenida marginal do rio Tietê, à altura do campo do Corinthians.

No alto dos postes, luzes amarelas ajudam a iluminar uma noite de nuvens muito baixas. Alguns prédios, ao longe, são engolidos na sua parte mais alta, pela neblina.

Viagem tranqüila até aquele ponto, quando noto um carro estacionado num recuo da avenida.

O motorista está em pé, ao lado do veículo, olhando atentamente para alguma coisa do outro lado do rio.

Procuro o motivo de sua atenção e vejo um poderoso facho de luz atravessando a neblina, acima dos edifícios.

O foco luminoso branco varre as nuvens na horizontal, num sentido horário, como se fosse um ponteiro de relógio. Lentamente.

Resolvo parar o carro para ver melhor.

Encosto no recuo seguinte da avenida e saio do carro.

O facho de luz continua virando da esquerda para a direita. Firme, imóvel, na sua base.

A luz é muito forte e aparentemente está a baixa altura.

Agora lentamente, num movimento regular de rotação, começa a perder intensidade quando o foco vai virando para outro lado.

Mas eis que surge outro poderoso facho de luz, girando com a mesma tranqüila velocidade da direita para a esquerda.

A base de onde sai o foco de luz fica um pouco mais para cima do que a anterior. É como se dois faróis estivessem presos numa mesma haste circular, cada um iluminando um lado.

É uma visão totalmente inexplicável. Mas desta vez isso não fica sem registro.

Ao contrário da outra noite em que vi um grande objeto luminoso (contei na primeira parte desta série), tenho uma câmera toda automática.

Vou tentar fotografar o fenômeno.

(Na próxima edição: Fotografei o que vi, captei o que não vi).

 

 

SÃO OUTROS QUINHENTOS

Os brasileiros acabam de eleger seu presidente. Ironicamente a maioria dos que votaram em FHC são da classe pobre de miseráveis, classe média baixa, os de salários menores que 300 reais, com filhos e outros dependentes para cuidar. Analfabetos, semi-analfabetos, desinformados e que votaram pensando: "seja o que Deus quiser".

Também muitos milhões de eleitores instruídos, diplomados, das classes médias alta e baixa, os bem empregados, os ricos votaram em FHC.

Crise econômica mundial afetando o Brasil, também. Nosso país - por infelicidade - volta, como nunca, à submissão do FMI. A dura realidade é que o governo brasileiro não tem vontade própria. Nossos economistas, administradores e planejadores não têm nada a fazer senão impor aos brasileiros o que os países ricos ditam. E ainda temos que considerá-los "amigos" e agradecer-lhes (que o digam seus "testas de ferro" e oportunistas "do" Brasil).

Saúde!? Educação!? Segurança!? Emprego!? Dignidade!? Justiça!? Fraternidade!? Vergonha!? Atenção na mídia... Vejam o que estão fazendo com o nosso povo sofrido, com os trabalhadores, com os aposentados, com as classes menos favorecidas, principalmente. Tem nada não. "Faltam apenas quinhentos para QUINHENTOS". Em abril do próximo milênio iremos comemorar 5 séculos de um país rico, SIM, gigante pela própria natureza, de povo heróico, fraterno e bradante, de braço forte, conquistador da igualdade entre irmãos.

Vamos comemorar a honestidade de nossos políticos, o patriotismo e qualidade dos grandes empresários brasileiros, a honestidade e sinceridade de nossos cristãos e outros religiosos. E num minuto de silêncio TODOS OS BRASILEIROS, sem exceção, vamos, juntos, olhar pro céu e dizer: "PUT&WFAVWLDMWW."

 

Viva a Hipocrisia

Escrito por Thaís Ribeiral Vieira - Belo Horizonte

A ignorância e a ironia se aliaram para comemorar cinco séculos de desarmonia. Essa "festa" do "descobrimento" do Brasil é de extremo mau gosto. Não faz sentido.

Nosso país é vasto, dotado de recursos e, ao mesmo tempo, tão desprovido e carente.

Nossos políticos são corruptos, a educação está um caos.

Nosso povo sente fome e a saúde está doente. O desemprego ganha forças; a violência e a prostituição se tornam assustadoras. Nossa nação, que nada tem de "civilizada", foi invadida pelas desigualdades e injustiças. A insegurança e a instabilidade se alastraram pelo Brasil. Vivemos em um submundo, com condições subumanas. Ah! Isso, sem falar na falta de ética. É um absurdo designarem o choque entre a cultura européia e a indígena como "fusão benéfica", marcada pela "cordialidade racial". A história do Brasil se mostra bem diferente, marcada pelo massacre de milhões de nativos. Dizimaram a população indígena e, como se não bastasse, menosprezaram a sua cultura e subestimaram seus valores. Essa discriminação perdura, mesmo no fim deste milênio. Há algum tempo, estudantes atearam fogo em um índio. É vergonhoso! Realmente, temos muito o que comemorar... "Comemorar o quê, cara pálida ?"

A contagem regressiva para o aniversário de quinhentos anos já começou. Mais uma estratégia da mídia, puro marketing. As eleições estão chegando, e nada melhor que um bom jogo político tradicional : cheio de alienação e sujeira. E viva a hipocrisia !!!

 

 

 

 

NASCENTES

A idéia de um plano de recuperações das nascentes d’água no município só irá à frente se contar com a participação dos donos das terras onde elas existam, colaboração das escolas, professores e alunos de todas as idades. O primeiro passo seria descobrir onde existem nascentes à recuperar. Depois o contacto com os proprietários interessados. Esses, aliás, são os que têm em mãos a solução. Podem colaborar mas não podem arcar com despesas nenhuma porque as coisas estão difíceis, principalmente para a lavoura e os pequenos proprietários de terra. As despesas, então, seriam pagas por outros setores da sociedade.

 

COISAS QUE A VIDA CONTA - II

João Coelho*

Existia uma vendinha próxima à Fazenda do Senhor Quinzinho Pinto, perto da estrada que vai para Tuiutinga. Era a salvação do povo circunvizinho, pois ali encontrava-se para comprar, desde os secos e molhados de uso mais comum, até tecidos e artefatos de couro. A freguesia era tanta que o vendeira, volta e meia, via-se obrigado a contratar ajudantes.

Num desses dias muito movimentados lá chegou um garoto e pediu que lhe vendesse meio quilo de quiabo. O balconista ficou sem saber o que fazia, pois a velha balança só dispunha de um peso de 1000 gramas. Querendo solucionar o problema a seu jeito, tentou convencer o menino a levar um quilo do produto e pagar o restante depois. O freguês não concordava de maneira alguma. Chamaram o proprietário que também não conseguiu solucionar a questão. Ouviu-se a opinião de vários presentes, e nada de se encontrar resposta.

O silêncio era sepulcral. Olhares sem graça em cada criatura e o freguesinho já disposto a ir embora sem levar o legume. Foi aí que um velho barbudo e prá lá de pingado, chamado Dercino, levantou-se cambaleando e falou para o dono da venda: - Põe quiabo no prato até pesar um quilo, depois divide em duas partes, fica com uma para o senhor e entrega a outra para o menino. O povo batel palmas, abraçou o velhinho e ainda pagou para ele várias pingas acompanhadas de gostosos "tira gostos". Daí para frente aquele ancião passou a ter ali um tratamento especial.

E não é que, em plena semana de carnaval deste ano, aconteceu em Guidoval um fato semelhante? Uma mãe de família após consultar o filho com um especialista em Ubá, levou o garoto ao Hospital de Guidoval para tomar uma injeção. Acontece que, de cada ampola só poderia tirar 500mg e jogar o restante fora. Para surpresa daquela mãe, ela teve de voltar sem medicar o filho pois ninguém no Hospital sabia tirar da ampola a dose pedida no receituário.

Foi aí que, retrocedendo no tempo, a gente se lembrou daquela famosa vendinha do Córrego Seco. Que saudades do Sô Dercinho! Faz mais de quarenta anos que o bom velhinho se foi. Se estivesse vivo solucionaria de graça um probleminha tão simples. Mas o que é bom dura pouco. É uma pena! Se aqui estivesse poderia ser um grande auxiliar no Serviço de Saúde de Guidoval, pelo menos quando se precisasse fracionar medidas.

(João Coelho é 1º suplente de vereador do PDT/Guidoval)

 

 

A VILA AGRADECE

Agora que já passou o carnaval, chegou novamente a rotina. Os foliões transformaram-se novamente em estudantes, em motoristas, em marceneiros, em comerciantes, em proprietários de fábricas, em empregadas domésticas, em políticos, em funcionários públicos, em donas de casa, enfim, cada um retornou à sua rotina de trabalho para mais um ano de luta para a sobrevivência.

Porém, não poderíamos de deixar de invocar novamente o espírito carnavalesco, nem que seja apenas por um pouquinho de tempo, para dizer alguma coisa muito importante e que não pode esperar.

Estou falando de agradecimentos. Agradecimentos primeiramente a Deus por ter proporcionado a todos os guidovalenses vários dias de muita diversão, mas com nenhuma marca de criminalidade ou de atentado à individualidade de quem quer que seja. Tivemos um carnaval sem ocorrências de mau comportamento, sem violência, sem muita bebedeira em excesso. Tudo na medida. Estamos de parabéns por isto. Todos nós nos reunimos na rua, nos bares, na praça, em família e com muito respeito uns pelos outros.

Para botar nossa escola na rua tivemos muito trabalho. Em determinados momentos quase chegávamos à entusiasmo, espalhamos alegria para todos que foram às ruas para nos apoiarem.

Não foi o trabalho de uma só pessoa. Foi o resultado do esforço de toda uma comunidade que cada vez mais se supera, gerando emoção que explode em nossas veias fazendo com que amemos cada vez mais nossa querida terra.

Desta forma, queremos agradecer à nossa população pelo respeito ao nosso trabalho, pelo apoio marcado com a presença em massa de todos os guidovalenses nas ruas em todos os dias em que desfilamos. Cada um de nós cercados por aquela tradicional corda de isolamento podia ver estampado nos rostos daqueles que se perfilavam ao longo do passeio: alegria, emoção e principalmente orgulho por ver o entusiasmo dos amigos, dos filhos, dos netos e dos convidados que vieram participar e abrilhantar nosso desfile.

Dos comerciantes recebemos doações em dinheiro ou em material além de muito incentivo para que pudéssemos viabilizar nosso desfile. Este apoio foi fundamental para o montagem da escola, confecção das fantasias, compra de instrumentos, sem o que jamais colocaríamos a escola na rua.

Esperamos que no próximo ano mais comerciantes venham juntar-se aos atuais colaboradores e, quem sabe, possamos também merecer mais apoio do poder público para que possamos fazer um carnaval ainda melhor, atraindo a atenção de toda a nossa região para a nossa querida Guidoval.

Por enquanto, nosso muito obrigado a todos.

Agremiação Escola de Samba da Vila Trajano