Saca-rolha n.º 80

03 de Março de 2000.

I CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE SAÚDE EM GUIDOVAL

Por Rodrigo M. de Oliveira

 Conferência Municipal de Saúde

Com o salão da Escola Municipal Antônio Barbosa Neto cheio, a I Conferência Municipal de Saúde foi realizada com grande sucesso. Tal conferência vem ocorrendo em vários municípios, visando sempre a discussão direta com o povo sobre os problemas da saúde no município.

Num primeiro instante, o público presente foi orientado para os principiais problemas de saúde ocorridos em Guidoval; destaque para as doenças do Sistema Respiratório, Diabetes, Doenças Cardiovasculares e Parasitoses. O público foi, ainda, informado de quais exames são oferecidos em Guidoval.

Algumas metas buscadas pela equipe de saúde municipal também foram citadas: diminuição do número de internações por diarréia em crianças; redução de parasitoses intestinais; acompanhamento da gestante, incluindo etapa de aleitamento materno; implementação de programas de saúde (contra Hanseníase, por exemplo); campanhas de imunização e Educação da Saúde.

Palestras:

 Conferência Municipal de Saúde

Programa da Saúde da Família (PSF): O Dr. Franklin Leandro Neto (DRS/Ubá) foi quem apresentou este programa. Trata-se de equipes formadas por médicos, enfermeiros(as), e demais auxiliares que visitam as comunidades a fim de conhecer a realidade e diagnosticar possíveis doenças locais. São verificados a existência de problemas sociais e econômicos, visando ações de prevenção para que a população adoeça menos.

A conferência foi de grande importância por apresentar à população de Guidoval os serviços a que tem direito e como estes estão sendo prestados. Se a meta era comunicação direta com o público, aqui ela foi alcançada. A equipe organizadora do evento está de parabéns.

CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL É DISCUTIDA EM GUIDOVAL

Por Rodrigo M. de Oliveira

Guidoval recebeu recentemente a visita da Técnica Social da Caixa Econômica, Aúrea Marta Gonçalves.

Áurea é responsável pelo acompanhamento das obras habitacionais e de saneamento para famílias carentes, objetivando o trabalho educativo - sanitário e ambiental - e formação de associações de moradores, para que as obras resultem em efetiva melhora na qualidade de vida.

A usina de reciclagem de lixo do município foi o alicerce da reunião que contou com a participação de representantes de várias instituições de Guidoval.

As crianças foram citadas durante todo o tempo. "São elas o nosso amanhã", disse Áurea. "Pegam as informações na sala de aula e a levam para casa, chegando até aos pais... como se fossem formiguinhas", brincou.

Com diversas opiniões foi possível, sem perda de tempo, um consenso de que é necessário que se faça parcerias com EMATER, ONGs e demais instituições a fim de se fazer um grande trabalho de conscientização ambiental através de teatrinhos, vídeos, palestras, equipes móveis, feiras de reciclagem de modo a deixar claro que o bom funcionamento da usina depende da participação ativa de cada cidadão.

Uma usina de reciclagem bem administrada e com acompanhamento técnico é capaz de fornecer composto orgânico de alta qualidade para uso em lavouras e jardins, dispensando o adubo químico; diminui os casos de verminoses no município; gera empregos, economiza energia e alivia o impacto ambiental.

Lei de Responsabilidade Fiscal

Por Márcio Barbosa

A Câmara dos deputados acaba de promover, por esmagadora maioria, a Lei de Responsabilidade Fiscal, através da qual os Prefeitos, todos, sem exceção, a ela estarão subordinados. Fiquemos com o que nos interessa mais diretamente, que é o caso dos nossos prefeitos, que terão de administrar suas finanças de maneira bem planejada daqui para frente, para cumprir as exigências da nova lei. A partir da vigência da nova lei, que deverá vigorar a partir de abril do ano em curso, os prefeitos serão cobrados por seus atos administrativos e poderão ser enquadrados em crimes de responsabilidade fiscal e, se comprovadas as irregularidades, poderão ser condenados com até quatro anos de detenção e, claro, com a perda do mandato. A partir da vigência da lei, os prefeitos terão de elaborar um Plano Plurianual (PPA), até 30 de abril do primeiro ano de mandato, contendo um anexo de política fiscal com metas plurianuais de política fiscal - receitas, despesas, resultado primário e estoque da dívida. O PPA deverá prever ainda as obras e outros investimentos com duração superior a um exercício. Com isso, o orçamento não poderá destinar recursos a tais projetos, a menos que seja editada uma lei específica para permitir sua inclusão. Os municípios ficarão obrigados a cobrar, todos os tributos sob sua responsabilidade, segundo a nova Lei de Diretrizes Orçamentárias, que terá vigência a partir de 2001, sob pena de não receberem transferências voluntárias dos Estados e da União. Medidas de combate à sonegação deverão ser especificadas a cada dois meses, bem como a evolução da dívida ativa e dos créditos tributários possíveis de serem cobrados pelos municípios. O limite de gastos também está previsto e as despesas com pessoal não poderão ultrapassar a 60% (sessenta por cento) da receita líquida do município. Estes são alguns aspectos que entendemos relevantes trazermos a debate, tendo em vista a proximidade das eleições e o grande número de prováveis candidatos à nossa Prefeitura, cabendo, agora, indagar: Quem tem um programa de governo a ser discutido com a sociedade? Que medidas serão tomadas, com base no orçamento, para atender ao programa? De onde virão os recursos? Qual a real receita do município? Qual a despesa com pessoal? Vamos discutir estes assuntos senhores candidatos? A sociedade, que paga os impostos, tem todo o direito de discutir e ajudar a direcionar os recursos para o que mais lhe interessa como um todo e não só para atender a uns poucos privilegiados.

Fazendo Comparação

João Coelho*

A gente tem escrito sempre sobre a péssima administração do prefeito Mateus Vieira. Não se faz isso com o intuito de denegrir, mas pelo fato de sensibilizá-lo e levá-lo a respeitar o povo que, cegamente, acreditou em suas promessas de trabalho.

Aqui é rua esburacada, ali estradas intransitáveis, mais além protecionismo e a discriminação, e vai longe se dispusermos a relatar todo o descalabro administrativo.

Pensando em tanto mal feito a gente chegou de chofre no Sítio Aldeia do Morro, de onde sai grande produção agrícola que colabora e muito na divisa econômica de nossa terra. Ali existe uma ponte em péssimo estado, da qual tem servido os candidatos em épocas de eleição para conquistar o voto de todo o povo circunvizinho. Só que, passado o pleito, ninguém mais aparece por lá e os valentes agricultores precisam carregar seus produtos nas costas, se quiserem vendê-los. Ultimamente reuniram-se os interessados e adquiriram por conta própria pedra, areia, placas de ferro, vigas, vergalhões e pediram ao prefeito para entrar apenas com o cimento e a mão de obra. Para surpresa de todos, foi-lhes negado o pedido. E vejamos que tal ponte é da competência da prefeitura, pois está numa estrada vicinal pública.

Ficamos pensando o que se passa na cabeça do atual administrador, o mesmo homem que, alta noite da véspera da eleição, visitou o povo daquele lugar jurando de pés juntos que tudo faria para aquela comunidade, inclusive a dita ponte que seria obra prioritária.

Voltando no tempo, ficamos a matutar sobre a grande caixa d'água que o mesmo prefeito instalou no alto da cidade e que nunca viu água em seu bojo. O dito reservatório custou aos cofres públicos uma fortuna, dinheiro jogado fora, que daria para fazer mais de uma dezena da pontes iguais aquela do Sítio Aldeia do Morro, de tanta utilidade para o povo.

Nós, certamente, haveremos de guardar na lembrança atos dessa natureza para sabermos elaborar, no momento oportuno, a lista dos verdadeiros homens que fizeram a nossa história.

* (João Coelho é 1º suplente de vereador do PDT de Guidoval)

CATACRESE

Ibsen F. Sales

Conotação é uma palavra que todos devem conhecer e entender; é a idéia que se tem no momento.

Para uns, uma palavra tem uma conotação e, para outros, é diferente.

Em Portugal, famigerado significa famoso, enquanto no Brasil tem conotação diferente: bandido.

Vamos à palavra burro, cuja conotação é muito diversificada mas que não chega nunca à sua significação primitiva.

Em Latim "burrus" significa vermelho.

Não sei a estória mas, conta-se que havia um animal de cor avermelhada ao qual se chamava "asinus burrus". O povo que, "em matéria de linguagem, é soberano", abandonou a primeira palavra e passou a empregar apenas, "burrus" que, em Português, ficou "burro". A espécie de animal ficou com o nome de burro que, na realidade, é "asno".

Na expressão "homem burro", burro tem a conotação de "falta de inteligência" se o homem não executa as coisas com perfeição e tem a conotação de "forte" quando executa trabalhos pesadíssimos.

Segundo o senhor Matoso Câmara, a entonação da palavra, também, influi na conotação.

A colocação modifica a conotação: Homem grande e grande homem.

O povo ouve uma palavra com uma conotação e a aplica em outra situação semelhante de maneira que tal palavra ganha uma raiz tão resistente que vai se instalar nos próprios dicionários. Uma palavra de sentido específico passa a ser empregada com uma conotação comum e vice-versa.

No dia em que descobrirem que cefaléia é dor, vai sentir cefaléia na barriga, no cotovelo e até, no umbigo, enquanto cefaleia é apenas dor de cabeça.

Pastar significa ingerir alimentos, mas o vulgo entende que este verbo só pode ser exercido pelos animais exclusivamente comedores de vegetais: As pessoas também pastam.

Observem bem: Epopéia é uma série de ações heróicas; Lusíadas foi uma epopéia vivida pelos lusos (portugueses); Eneida foi uma epopéia vivida por Enéas e olimpíadas uma epopéia vivida no Olimpo, mundo dos deuses pagãos.

Como houve olimpíada em Seul, nos E.U.A. e vai haver na Austrália, pode-se muito bem sentir cefaléia no tornozelo.

"Olha a catacrese aí, gente!"

Inteligência e humildade

Uma pequena matéria com o título Política Quente publicada na edição anterior, deu muito o que falar, gerou especulações, e alguns aproveitaram para fazer comentários maldosos com o intuito de intrigas. Disseram que o jornal foi "duro" e usou termos "agressivos" e de acusação "visando ofender" políticos e partidos.

Não. Nosso objetivo não foi ofender. Foi, em primeiro lugar, dar informações que interessam aos nossos leitores e eleitores que, supomos, já estão preocupados com as próximas eleições no município que agora está com partidos novos e um quadro bem diferente de eleições anteriores.

Os termos usados são de atitudes comuns aos seres humanos e principalmente aos que não têm uma constante militança política, não analisam, não pesquisam sobre o comportamento social e político do povo e acham que "entendem" de política. Esse "sábios iluminados" têm sua lógica e já "sabem" em quem o povo vai votar, porque vai votar e quais serão os próximos vitoriosos nas eleições. Eles batem o pé, gritam e não querem saber dos argumentos dos outros. Acabam atrapalhando as negociações porque "dizem" que "já ganhamos, com muita frente e sozinhos, sem coligações com ninguém..."

Ora, estão em jogo a administração da cidade e um Poder Legislativo forte e consciente do seu papel. Isto deve ser levado mais a sério. Por isso achamos que VAIDADE, CONCLUSÕES ERRADAS E INTRANSIGÊNCIA podem acabar com a oportunidade de Guidoval ter sua melhor administração e a mais progressista de todos os tempos.

Esta oportunidade está em mãos do PMDB, PPS, PT e, quem sabe até outros partidos, se unirem pensando acima de tudo, no futuro de Guidoval e no bem-estar do povo.

O PMDB com sua tradição de décadas de luta, de experiência e um número enorme de eleitores fiéis e apaixonados. O PPS, fundado há alguns meses mas com um quadro composto de pessoas sinceras, idealistas (alguns até altruístas) capazes e bem conhecidas do nosso povo. O PT, o "velho PT" também com a sua conhecida luta por governos sérios, justos e progressistas. Pois bem. Esses partidos têm tudo para, juntos, formarem um governo exemplar. Mas o amadorismo político, as conclusões erradas, a vaidade e intransigência podem impedir a boa união que beneficiaria nossa cidade.

Seria bom, então, que a maioria esmagadora dos membros dos diretórios desses partidos resistissem e não deixassem que alguns poucos prejudiquem uma coligação invencível.

Humildade não é defeito nem submissão. No caso desses partidos será um ato de inteligência.

Ladrões agem sem medo

Há muito tempo ladrões vêm agindo de forma desinibida em nosso município. As principais vítimas têm sido os trabalhadores rurais. Os ladrões levam bois, vacas e outros animais. Durante muito tempo se davam ao luxo de roubar em data marcada: todas quintas-feiras. As vítimas ficavam na expectativa e sem saber qual a propriedade escolhida pelos amigos do alheio. Depois mudaram a tática, ou seja, mudaram para as sextas-feiras. Agora já mudaram outra vez. No dia 13 de fevereiro - domingo - roubaram o motor elétrico do senhor Anízio Vital. E ele ficou muitos dias parado por causa da falta do motor de aguar suas hortas. Segundo o senhor Anízio para carregar o motor é preciso de 3 homens ou mais. Há poucos dias os ladrões foram roubar uma antena parabólica com a dona da casa assistindo a um programa. A dona da casa vendo que o programa saiu do ar, achou que a TV havia enguiçado. Desligou-a e foi dormir. No outro dia, cadê a parabólica? E a polícia? Deve estar esperando o registro das queixas, alguma pista e nomes de suspeitos.

Saca-Rolha "leva cano"

Se não fossem as ajudas financeiras extras que o Saca-Rolha recebe às vezes, principalmente de guidovalenses ausentes, ele já teria parado de circular. Em Guidoval, muita gente colabora e muitos não colaboram mais porque não podem mesmo. A maioria do povo gosta muito do Saca-Rolha, temos certeza. Mas muitas pessoas não pagam nem a assinatura mensal, que é uma pequena quantia. Já levamos cano até em anúncios. Quanto aos empresários basta o leitor olhar nossas edições e vai verificar que nosso jornal não tem, para eles, grande importância (ou para alguns tem tanta importância que, por isso, ele não devia existir). Tudo bem. Cada um tem sua cabeça, seu modo de pensar, seus valores. Não vamos discutir a vontade dos outros porque cada um é dono de si. Mas queremos despertar as pessoas, se pudermos, para a necessidade de maior apoio ao nosso jornal. Apelamos para quem está atrasado com o pagamento das assinaturas que regularizem a situação.

FORMATURA

No último dia 15 de janeiro, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC/RJ, colou grau em química industrial Márcia Pereira Barbosa, filha de nosso conterrâneo Márcio Barbosa e de Celeide M. P. Barbosa, a quem parabenizamos e desejamos felicidades na nova carreira. Pela profundidade, beleza e demonstração de carinho, nos permitimos transcrever a Homenagem aos Pais escrito pela Márcia e que fez parte do belo convite: HOMENAGEM AOS PAIS.

"Olhos, cabelos, boca, jeito de andar, características muitas vezes tão semelhantes entre nós e vocês que é impossível não se notar o parentesco. Mas não são só essas características que herdamos de vocês. O nosso caráter, nossa bondade, nossa crença em um mundo melhor e, ainda mais, nossa vontade de fazer o mundo melhor, tudo isso herdamos de vocês. Se hoje nós estamos aqui é porque vocês nos incentivaram e apoiaram. E se amanhã, por ventura, nós precisarmos de consolo em horas de desespero é em seus braços que iremos nos confortar. Com um simples abraço e um olhar terno teremos a paz e a confiança que precisamos. Foi, é e será sempre assim porque pai e mãe, vocês foram, são e sempre serão as pessoas mais importantes em nossas vidas".

Toninho Andrada

Antônio Carlos Andrada é, entre outra coisas, Deputado Estadual e Vice Reitor da UNIPAC. Conseguiu o apoio de mais de 50 pessoas daqui de Guidoval. E o seu pai, Deputado Federal Bonifácio Andrada, também conseguiu o voto e confiança de mais de 50 pessoas guidovalenses. A família Andrada, como tantos sabem, é conhecida e tem merecido respeito em TODO BRASIL pela honradez e honestidade dos seus membros, inclusive pela coragem e firmeza de opiniões.

De repente vemos na TV e em toda mídia, torpes acusações ao Deputado, iniciante da "5ª GERAÇÃO" de políticos da família. Um dos principais motivos é a grande atuação do jovem deputado que começa a crescer DEMAIS junto à opinião pública mineira.

Abalados e naturalmente surpresos com a coragem de alguns adversários de terem ido tão longe, ele e o pai ocuparam a mesma mídia e mostraram, com tranqüilidade aos justos, a verdade dos fatos.

Pode-se discordar ideologicamente dos adversários, fazer muita coisa para derrubá-los. Mas até no Brasil, infestado de picaretas que se dizem "políticos", há limites que a própria opinião pública impõe.

Antônio Carlos Andrada sabe que é respeitado por todos os partidos, sem exceção, mas confirmou por experiência própria que no meio político há um tipo de pessoas capazes de tudo para conseguir espaços. Recuperado do susto, Toninho volta às suas atividades no caminho do acelerado crescimento político em MG.

Solidariedade

O Saca-Rolha fez reportagem sobre o "Natal das Crianças" (carentes) em Guidoval no fim do ano passado e, por culpa do diretor do jornal (que está pedindo desculpas) não foram publicados outros atos de solidariedade humana durante o Natal. Publicamos agora.

O Centro de Educação e Promoção Social "Geralda Gelza" na campanha do Natal de 99 beneficiou a mais ou menos 240 famílias distribuindo bolsas de alimentos e para as crianças o Papai Noel deu presentes. Foram centenas de crianças que receberam brinquedos de vários tipos e saíram felizes.

Amigos de Guidoval

Também aos genros da dona Carmem, Ricardo Muller Viana e dr. Jorge Luiz da Silva Correia e dona Cecília (mãe do dr. Jorge Luiz) fizeram a alegria das crianças guidovalenses, como aliás já fazem há muitos anos.

Com a costumeira ajuda e controle da dona Carmem e Marilene foram distribuídos bolas, carrinhos, bonecas, etc e quase 300 crianças (meninos e meninas) receberam presentes.

Como se vê, a solidariedade humana no Natal em Guidoval é muito grande.

UM DEDO DE PROSA

Prof. Antonio Barbosa

 

Quando outubro chegar, uma vez mais estaremos escolhendo nossos dirigentes municipais. É sempre uma boa oportunidade para a reflexão em torno do que somos, do que almejamos como cidadãos, do projeto, enfim, que temos - ou não - de vida social e comunitária. Em pleno ano 2000, às portas de novos século e milênio, com nosso município completando 51 anos de emancipação político-administrativa, talvez seja esta a hora mais apropriada para que nós, guidovalenses, tomemos a História em nossas mãos. Quem sabe não está diante de nós a chance de rechaçar velhas práticas políticas que nos empobrecem como gente, nos imbecilizam como cidadãos e nos tornam reféns do clientelismo, do paternalismo e da mediocridade?

Memória... Como diz a canção, "a minha arma é o que a memória guarda". Compreender o sentido do tempo, tendo uma vinculação orgânica com o passado, talvez seja um dos maiores desafios que encontramos ao longo de nossa existência. No entanto, por mais difícil que seja, não há como fugir dessa contingência, a menos que abdiquemos de nossa condição humana. Já pararam para observar como, nesses estranhos tempos em que vivemos, tudo nos impele a acreditar num presente contínuo, sem passado e sem futuro, em que o hoje é a única coisa que importa? Que a transitoriedade é a marca registrada de tudo, a começar pela vida? Que tudo tem seu preço mas nada tem valor? Desconfio residir aí uma das razões fundamentais para a crise generalizada da civilização contemporânea.

... e esquecimento. Faço esses comentários a propósito de algo que, há algum tempo, tem chamado minha atenção. Refiro-me ao agressivo processo de descaracterização urbana pelo qual nossa cidade vai passando. Casas comuns, imponentes casarões ou humildes construções, todos eles representativos de épocas distintas e testemunhas de nosso passado, vão sendo derrubados com espantosa naturalidade. É como se nossa comunidade não tivesse História, sem nada para marcá-la no tempo. É como se milhares de pessoas não tivessem vivido antes de nós, com seus sentimentos, anseios, sonhos e projetos de vida. É como se tudo fosse fruto do hoje, sem qualquer compromisso com o que veio antes e com o que virá depois. O que se está perdendo não é apenas o vínculo com o passado, mas nossa própria identidade. É a incapacidade de se situar no mundo como um ser histórico. Pensemos nisso.

Monumento. Creio que, independentemente de qualquer crença religiosa, todos concordam ser a Igreja Matriz de Sant'Ana a construção que melhor simboliza nossa cidade. Majestosa, edificada por sobre suave colina, domina a área urbana, sendo vista de quase todos os pontos. Cabe, pois, singela questão: não seria justo providenciar um sistema de iluminação externa que a valorizasse ainda mais? Imaginem as noites guidovalenses realçando as lindas formas arquitetônicas da Igreja, como se iluminasse o caminho que nos aproxima de Deus!

Saudade. Escrevo a 23 de fevereiro de 2000. Há exatos nove anos, despedia-se de nós alguém muito especial. Dele recebi tanto - vida, amor, exemplo e o próprio nome - que a única forma possível de retribuição é tentar, dia após dia, não desmerecer seu legado. Descanse em paz, papai.